USO PÚBLICO É CONVERSA DO WORKSHOP PARA RPPNISTAS DE SÃO PAULO E OUTROS GESTORES DE ÁREAS PROTEGIDAS

 

 

Julho/2017

 

USO PÚBLICO É CONVERSA DO WORKSHOP PARA RPPNISTAS DE SÃO PAULO

E OUTROS GESTORES DE ÁREAS PROTEGIDAS

 


DSC_0161  “Uso Público e geração de receitas – Boas práticas em áreas protegidas” foi o workshop organizado pela FREPESPWWF-Brasil e Instituto Ecofuturo, no Parque das Neblinas, em 21 de julho.

Uma experiência trocada em roda de conversa e vivenciada meio a mata alinhada ao Borandá – um movimento que promove a cultura da vida ao ar livre e que foi apresentado aos RPPNistas paulistas e demais participantes.

Assim foi o dia que começou cedo com o café da manhã da Natural da Mata – uma empresa local que desenvolve receitas com frutos nativos como o cambuci, a taioba e o juçara…delícias da natureza que matam a fome e conservam a mata!

 

 

 

 

ABERTURA

 

Com essa boa combinação iniciamos a roda de conversa com as palavras de boas-vindas do diretor de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, Paulo Groke, que fez uma reflexão sobre os desafios da conservação e frisou sobre a função das Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN na conservação e como espaços oportunos para geração de renda que contribuem tanto para a manutenção das próprias RPPNs como para o desenvolvimento da economia local.

Daniel Venturi, analista de conservação do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, reforçou a importância dessa troca de experiências e potencialidades de uso público entre os proprietários e as instituições com intuito de empreender negócios atrelados à conservação da Mata Atlântica e, assim, aprimorando a efetividade dessas reservas.

O RPPNista e atual presidente da FREPESP, Toni Carioba, ressalta a oportunidade deste momento para todos…tanto proprietários de RPPNs, gestores de outras unidades de conservação, bem como as instituições parceiras no Workshop que fomentam o tema “uso público” fazendo circular informação. Complementa que a FREPESP e WWF-Brasil, agora, estão juntos no engajamento da cultura da vida ao ar livre nas RPPNs paulistas por meio do Movimento Borandá – incentivando as pessoas a estarem mais em contato com a natureza.

 

RODA DE CONVERSA

 

Esse bate papo e troca foram marcados pelas experiências expostas pelos participantes em espaços públicos e particulares de reserva ecológica – como os parques estaduais e as RPPNs, e, também, proprietários de terra que possuem mata preservada em sua área e que buscam meios de viver e conservar a natureza com sustentabilidade.

 

 

 

 

Alguns exemplos relatados estão:

  • na RPPN RIO DOS PILÕES, em Santa Isabel/SP que promove corrida, projeto de educação ambiental com os filhos dos associados e comunidade do entorno – e que cuidarão da mata no futuro, visitas escolares e com a terceira idade para conhecer a RPPN;
  • no NÚCLEO PADRE DÓRIA DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR – PESM, em Salesópolis/SP – que envolve a comunidade com oficina – a ecobrinquedoteca (conhecendo para preservar), com o ecoturismo e observação de aves com as crianças (guardiões da mata),  educação ambiental com filhos de caçadores e promoção de atividade musical/cultural;
  • no SESC BERTIOGA onde acontece a educomunicação com a “Rádio Reserva” que leva informações e músicas para a comunidade, o clube observador de aves com saídas mensais gerando o catálogo das aves da região. Tem também o programa Cambuci que fomenta a sociobiodiversidade e promove o desenvolvimento sustentável do entorno da área, além do trabalho de educação ambiental com as escolas públicas;
  • na RPPN DUAS CACHOEIRAS, a educação ambiental para estudantes acontece por meio de roteiros de estudo que passam pelos processos naturais ‘versus’ produção local. Para adultos, agroecologia e cursos de construção alternativa de energia e água. Saiba mais, aqui;

 

 

“O uso público no Parque das Neblinas sempre teve como foco a sensibilização ambiental. A vivência dos nossos visitantes na Mata Atlântica possibilita a reflexão sobre a importância deste bioma e da reconexão com a natureza”.

Paulo Groke, diretor de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo

 

  • na APA DE SÃO FRANCISCO XAVIER, a corrida de montanha é uma prática que já virou tradição – e o alerta é quanto ao cuidado em relação aos impactos da atividade, verificando capacidade da área e profissionais capacitados;
  • na RPPN RESERVA ECOLÓGICA AMADEU BOTELHOa horta orgânica resulta na feira orgânica aberta ao público. Acontece também atividades educativas com a visitação de escolas por meio de agendamento;
  • na PARQUE ESTADUAL RESTINGA DE BERTIOGA E PESM NÚCLEO BERTIOGA muitas ações são conjuntas com voluntários (como biólogos/ veterinários/ fotógrafos). Cursos de fotografia são atrativos já que os próprios fotógrafos montam seus programas de saídas de fotografia na natureza – usando diferentes e específicas trilhas para temas propostos, e o que pode variar conforme o período das estações. Acontecem ainda as trilhas temáticas como as de observação de aves, corrida de aventura, pedagógica, observação botânica, trilha de acessibilidade – cadeirantes/ cegos, e trilha aquática acessível;
  • na PROPRIEDADE “CANTOS DA MATA” o espaço recebe eventos: corporativos, sociais, gourmet, educacionais e casamentos meio a natureza. Com uma estrutura de auditório, salão de refeições, biblioteca, cozinha gourmet e industrial, adega e acomodações. Ainda, oferece atividades como obervação de aves, trilhas, fotos e filmagens, lago, orquidário, pomar de caquis e fogão de chão.

No contexto dos relatos destacam-se questões como: parceria entre UCs públicas e privadas – por exemplo, gerando integração e geração de informações; voluntariado – gerando conhecimento e, que algumas atividades são oportunidades para a geração de cursos/ para temas de trabalho por meio da educação ambiental.

 

FECHAMENTO DA RODA, CONSIDERAÇÕES DA CONVERSA

 


 

Ferramentas relacionadas foram apresentadas pela OJIDOS CONSULTORIA AMBIENTAL que colocou que numa visão geral da RPPN, para uma boa gestão é preciso a combinação dos recursos humano, financeiro, técnico-administrativo e material.

E, entre algumas oportunidades relacionadas ao uso público de geração ou obtenção de recursos em RPPN estão:

  1. Ingressos para visitação (turismo, recreação e educação ambiental)
  2. Hospedagem
  3. Alimentação
  4. Venda de produtos – loja física e virtual
  5. Promoção de eventos, cursos e treinamentos
  6. Banco de imagens
  7. Pesquisa científica
  8. Programas de voluntariado

A questão do empreendedorismo foi colocada em pauta como junto e ao mesmo tempo num olhar “além” das já conhecidas atividades permitidas em uma RPPN como a educação ambiental, o turismo e a pesquisa científica.

E o desafio de como manter a conservação ambiental frente a sustentabilidade financeira entendendo que não é só uma atividade que irá sustentar a reserva.

Luciana Sagi, consultora de áreas protegidas (Movimento Borandá), resume que é preciso voltar os olhos, ou melhor, a gestão para um plano de negócios que esteja atrelado ao plano de manejo – identificando as diversas atividades que podem ser desenvolvidas. Destaca também sobre entender melhor o seu público – a necessidade da construção da “persona”.

Já o PROGRAMA TURISMO SOCIAL DO SESC SÃO PAULO compartilha importantes ponderações em relação ao turismo como o tipo de atividade que se deseja. Trabalhando a questão da “educação para o turismo e pelo turismo” como uma experiência reflexiva e crítica diante de si e do meio em relação aos impactos que causamos no dia a dia. Permitindo, assim, as pessoas a entrar em contato com a localidade praticando o diálogo e a transparência. (Acesse e conheça a “e online Ética no Turismo” do Sesc São Paulo).

Pensar em alternativas em relação à temporada é uma forma de se diferenciar e criar oportunidade de uso público.

Sobre as RPPNs e os RPPNistas neste contexto, traz a possibilidade de integração e experimentação em conhecer mais de perto conhecer o Programa Turismo Social e o Turismo Social conhecer mais de perto as RPPNs.

 

USO PÚBLICO = RESULTADOS SUSTENTÁVEIS

 

 

 

 

Registramos a presença do atual diretor da Fundação Florestal, Eduardo Camargo, que acompanhou a nossa conversa em roda e também participou frisando que onde estão as áreas/parques de maior visitação estão os melhores resultados sustentáveis.

Elucida que os RPPNistas agem com abnegação – que não agem por interesse; que renunciam as suas próprias vontades em função de uma outra pessoa; que é altruísta.

Romantismos a parte, a questão trata-se da necessidade de fomentar subsídios do custeio para a conservação voluntária em terras privadas como mecanismos para melhorar a valoração de áreas de RPPN.

Todos concordam que no caso das RPPNs é preciso olhar suas especificidades, é preciso um olhar diferenciado para as iniciativas fiscais e financeiras para a conservação da natureza.

 

NATURAL DA MATA

 

Após o almoço preparado pela empresa Natural da Mata foram apresentados seu histórico e experiências de como a gastronomia se tornou uma “ferramenta única para a conservação da floresta”.

Frutos e outras riquezas naturais locais são a inspiração para entre sabores e aromas fazer acontecer o desenvolvimento sustentável, aliando o socioambiental e econômico, e a cultural – preservando conhecimentos e costumes daquela localidade e região.

Porém, na NATURAL DA MATA o tradicional se combina com a criatividade trazendo inovações ao paladar! O pastel de taioba é um exemplo.

O Cambuci, uma fruta nativa da Mata Atlântica que é um pouco complicado de se comer ao natural, ganha desdobramentos como a tradicional cachaça com Cambuci…mousse, suco, sorvete e geleia.

Assim, é conhecido como “o nativo versátil”, devido às inúmeras possibilidades de uso da fruta.

CAMBUCI. A planta que o produz, o Cambucizeiro, se adapta bem desde regiões mais altas até áreas no nível do mar. É uma árvore de pequeno porte, medindo de três a cinco metros de altura e bastante resistente.

 

 

 

 

NATURAL DA MATA. Elabora pratos e quitutes com toque especial das espécies da floresta, como a JUÇARA e o CAMBUCI, além de priorizar uma economia justa. Sua missão é “resgatar o que nós temos de melhor em nós mesmos, mudar o mundo, utilizando a gastronomia com receitas criativas e saborosas com alimentos encontrados na Mata. Incentivar a produção local de orgânicos e respeitar a sazonalidade da floresta. ”

 

CULTURA DA VIDA AO AR LIVRE 

 

 

 

Pela tarde fomos caminhar nas trilhas das matas do Parque das Neblinas. Atentos às sensações e lembranças o intuito foi vivenciar a mata acalmando um pouco o lado urbano de cada um.

É comum a rotina nos distanciar da natureza, mas, ela está sempre lá com sua energia e benefícios para corpo, mente e alma. Comprovações científicas são cada mais frequentes sobre o bem-estar e benfeitorias que o contato com a natureza nos traz.

 

 

 

 

 

Assim, cultivar a vida ao ar livre é uma das razões do “Movimento Borandá” e, a outra, é a preservação da Mata Atlântica – atualmente reduzida a apenas 8,5% de sua cobertura original, a Mata Atlântica tem importância decisiva para a qualidade de vida das milhões de pessoas que vivem nos 17 estados brasileiros que fazem parte dela – são 75% da população.

A região da Mata Atlântica está entre as 5 importantes localidades de maior biodiversidade do mundo, pois, abriga grande variedade de espécies de plantas e animais.

Desta forma, a atividade com os participantes na mata exemplifica o que e como pode ser replicado em suas áreas protegidas por meio de questões sensoriais e temáticas – “visando conscientizar as pessoas da importância da Mata Atlântica e engajá-las na causa da preservação, ao aproximá-las da floresta por meio de caminhadas e atividades nas trilhas” (Movimento Borandá).

 

 

 

 

Após a trilha, a dinâmica em grupo organizada pelo Borandá gerou interação e soma de conhecimento e experiências entre todos. Também, foi possível conhecer mais sobre o Movimento, suas ações e materiais disponíveis como Guias e Manuais – que foram compartilhados com os participantes.

 

BORANDÁ NAS RPPNs PAULISTAS!?

 

Dentre as unidades de conservação do Brasil estão as Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN. Espalhadas pelo estado de São Paulo somam, atualmente, 21.730,60 hectares de áreas protegidas possuindo diferentes características e perfis.

Das 90 RPPNs atuais, cerca de um terço exercem atividades de uso público e/ou tem potencial para desenvolver atividades afins. Neste sentido, caminhar e fazer trilhas pelas matas é uma das possibilidades de integração com a natureza e com comunidades do entorno.

Engajada na ideia de “levar as pessoas para o coração da mata e a mata para o coração das pessoas”, a FREPESP inicia cooperação ao Movimento Borandá, por meio da parceria com o WWF Brasil, promovendo a conscientização e atividades junto aos RPPNistas como um instrumento de educação ambiental, de turismo e até mesmo cultural a ser desenvolvido em suas áreas.

O Workshop “Uso Público e geração de receitas – Boas práticas em áreas protegidas” foi a primeira prática e teve a parceria e apoio também do Instituto Ecofuturo.

BORANDÁ, O QUE É? É um movimento que tem como objetivo convidar-nos a conhecer melhor a Mata Atlântica, por meio de caminhadas e atividades ao ar livre em áreas protegidas. O projeto está sendo construído por meio de um esforço conjunto de vários atores – sociedade civil, governo, empresas, meios de comunicação social – catalisada pelo WWF-Brasil, no âmbito do Programa Mata Atlântica. Saiba mais, aqui.

 

CONSIDERAÇÕES

 

DSC_0199 A expectativa é que essa rede desenhada no workshop se fortaleça e seja geradora de conhecimentos e incentivos aguçando ideias, criatividade e oportunidades que gerem negócios e receitas em prol das pessoas e da conservação da biodiversidade.

O objetivo de compartilhar boas práticas com uso público diante das ações e experiências de áreas protegidas – tanto particulares como públicas – foi cumprido.

Neste sentido, FREPESP, WWF-BRASIL e ECOFUTURO consideram a troca e a integração os pontos alto do workshop que trouxe, além da diversidade dessas experiências, um momento reflexivo sobre si e a interação com a natureza – colocando de frente o desafio de propagar o estilo de vida “respeito, harmonia e integração com o ambiente natural”.

Ainda, vale considerar sobre a questão do planejamento, a atenção na questão do levantamento de otimização das informações que estão na própria reserva e mesclar com criatividade já que cada reserva tem sua especificidade – e isso é um ponto forte! Mas, também, porque nem sempre os recursos estão todos ali na mão de uma só vez.

Assim, os perfis e legados de cada área ganham formato e consistência – enriquecendo a paisagem e o homem, cada vez mais e sempre!

 

AGRADECIMENTOS

 

DSC_0265 A FREPESP agradece a presença de todos os participantes do evento – que reuniu cerca de 50 pessoas, entre proprietários de RPPNs do estado de São Paulo, e outros atores da região como proprietários de terra, gestores de Unidades de Conservação do Estado e outros profissionais da Fundação Florestal.

Também, o apoio dos convidados: Sesc SP; RPPN Duas CachoeirasRPPN Reserva Ecológica Amadeu Botelho; Ojidos Consultoria Ambiental; Fundação Florestal, e Natural da Mata.

Ainda, a recepção e apoio do PARQUE DAS NEBLINAS – que está localizado nos municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, com mais de uma década de atividades, o Parque das Neblinas desenvolve ações para a conservação da biodiversidade e a promoção do desenvolvimento sustentável. Com 6 mil hectares, o Parque conserva a bacia do rio Itatinga e promove pesquisa científica, manejo florestal, educação socioambiental, restauração da Mata Atlântica e visitação.

Além de abrigar a RPPN Ecofuturo, o Parque das Neblinas é reserva de uso sustentável da Suzano Papel e Celulose e gerida pelo Ecofuturo.

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FREPESP

Comunicação Institucional

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