PROSA E ‘CAUSOS’ MARCAM O LANÇAMENTO DO LIVRO DAS RPPNs PAULISTAS

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CONSERVAÇÃO VOLUNTÁRIA

PROSA E ‘CAUSOS’ MARCAM O LANÇAMENTO DO LIVRO DAS RPPNs PAULISTAS

 

“Cultura e Natureza – Áreas Protegidas do Estado de São Paulo: RPPNs”, a publicação mais esperada do Movimento da Conservação Voluntária Paulista é lançada no dia 26 de outubro, no Centro de Pesquisa e Formação Sesc SP.

E, numa rápida viagem convidamos você para saber mais como essa história começou e chegou até aqui!

Numa verdadeira expedição às Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Estado de São Paulo, o fotógrafo Silvestre Silva rodou mais de 9 mil km num roteiro que visitou 47 municípios diferentes fazendo passagem pela Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Litoral Sul, Litoral Norte, Rodovia Fernão Dias, Rodovia Bandeirantes e Anhanguera, Rodovia Raposo Tavares e Regis Bitencourt e, Rodovia Castelo Branco e Marechal Rondon.

A menor Reserva visitada, que possui 2,5 hectares, foi a RPPN Mutinga, localizada no município de Pirituba. Em contraponto, a maior – com 8.885,33 hectares protegidos, foi a RPPN Foz do Rio Aguapeí, localizada nos municípios de Castilho, Paulicéia e São João do Pau D´alho, fazendo divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul.

Milhares de quilômetros rodados entre os meses de agosto e dezembro de 2017 para visitar as 80 RPPNs fotografadas nesta expedição, que cruzou rio de grande e de pequeno porte, rodou por estradas de todos os tipos, cavalgou em muitas RPPNs pra conseguir melhores fotos…e que contou com cerca de 40 diárias de hotel e de 70 restaurantes usados para refeições da equipe, rendeu ‘causos’ que saem da lembrança do fotógrafo-naturalista Silvestre Silva para relatos do livro. Bem como na prosa da roda de conversa que marcou a noite de lançamento da publicação.

Mantendo o clima que antecedeu as falas de abertura do evento, seguem abaixo transcrições de um pouquinho do que se encontra no livro sobre as RPPNs:

“A RPPN abriga uma porção de animais ameaçados de extinção como lobo-guará, onça-parda, jaguatirica, cachorro-vinagre, tamanduá-mirim, tamanduá-bandeira, veado-mateiro, veado-catingueiro, lontra e as aves jaó (Crypturellus undulatus) e cabeça-seca (Mycteria americana). A própria paca que nomeia a RPPN também já foi registrada, no entanto, até que isso acontecesse, o nome – Toca da Paca – era algo apenas do plano imaginário.”  RPPN Toca da Paca, Guatapará

“Mas, são todos esforços que valem a pena quando a motivação maior é a conservação de uma mata e de toda a sua biodiversidade em caráter perpétuo. Portanto, para Diniz, a RPPN Duas Cachoeiras e todas as atividades em torno dela selam uma espécie de legado que deixará não somente às pessoas, mas sim ao próprio meio ambiente em si, do qual todos nós fazemos parte. Afinal, antes de tudo, somos filhos da terra!” RPPN Duas Cachoeiras, Amparo

“Portanto, todo o patrimônio cultural erguido – fruto daquela época – lá está como concreta memória representada pelo casarão da Catadupa, o antigo moinho de fubá, o aqueduto para transporte de água das nascentes e outras ruínas históricas que formam um conjunto arquitetônico que colabora para a compreensão da ideia de preservação dos bens materiais em conjunto com os bens culturais materiais e imateriais.” RPPN Fazenda Catadupa, São José do Barreiro

“Sobre a origem da Fazenda e da RPPN Reserva Ecológica Amadeu Botelho, esta remete a mais de um século de histórias, pois o bisavô das proprietárias Antonio Carlos de Arruda Botelho, Conde do Pinhal, comprou estas terras do Coronel Oliveira Matozinho próximo ao ano de 1886 e de lá para cá passou pelo seu filho Sr. Carlos Amadeu, seu neto Antonio Carlos e agora está com suas bisnetas.” RPPN Reserva Ecológica Amadeu Botelho, Jaú

“Do lugar nomeado como “contemplário”, serenamente ela avista o lago visitado por capivaras e muitas aves. Admira também a enorme copa da centenária árvore que nomeia a RPPN, o Jatobá, destacando-se entre as demais da mata. Pela área, natureza e arte se comunicam criando pontes que ajudam, inclusive, a minimizar conflitos – sejam estes da alma ou externos. Não importa.” RPPN Estância Jatobá, Jaguariúna

De volta à Capital, as falas de abertura contaram com as ilustres presenças de Juarez Michelotti – Gerência de Educação para Sustentabilidade e Cidadania – GESC Sesc SP; Toni Carioba – RPPNista e atual Presidente do Conselho da FREPESP; Felipe Feliciani – Programa Mata Atlântica & Marinho do WWF-Brasil, e Miguel Magela – Coordenador do Sistema de Gestão Florestal da International Paper.

Em seguida, tem início a Roda de Conversa que traz muito além de questões da conservação voluntária paulista que impulsionou todas estas histórias. Histórias e imagens estas que ganham vida a partir da própria voz dos proprietários dessas Reservas, as RPPNs, bem como de suas famílias.

Segue o tom da conversa que é aberta por Flávio Ojidos – Mestre em Conservação da Biodiversidade e Diretor Executivo da FREPESP. Ojidos é um entusiasta das RPPNs desde sempre e um dos mais recentes  RPPNistas do Estado – coproprietário e gestor da RPPN Gigante do Itaguaré. Seu bate-papo é sobre a concepção do livro, avanços e oportunidades quanto a conservação da biodiversidade no Estado.

Trazendo um pouquinho das experiências e vivências dos bastidores de grandes publicações como a das RPPNs Paulistas, e apresentação do universo cultural presente na publicação, a palavra seguiu com Fábio Brito, editor, jornalista, escritor e roteirista.

Para levar a todos para a expedição às RPPNs do Estado, com seu olhar apurado e intenso conhecedor da fauna e flora brasileiras, Silvestre Silva não deixa a prosa parar.

Fotógrafo naturalista há mais de 40 anos, desde 1980 dedica-se a projetos especiais de pesquisa e documentação fotográfica na área de botânica, por todo o Brasil, e nos conta sobre as curiosidades que viveu nesta experiência.

Uma das histórias marcantes relaciona-se a ataques de carrapatos sofridos em uma Reserva no Vale do Paraíba, a RPPN Travessia, em agosto de 2017. Havendo então a necessidade de adiar as fotos para período posterior. “Voltamos em abril de 2018 e, de novo, ataque de carrapatos”, conta Silva.

Em outra ocasião, foi a vez dos pernilongos! O ataque aconteceu em uma Reserva na beira do rio Mogi no município de Guatapará, na RPPN Toca da Paca. O proprietário, Gustavo Defina, confirma e diz que nunca antes naquela Reserva havia visto tanto pernilongo!!!

Segue com a conversa e conta Silvestre que foi preciso trabalhar sempre com vestes adequadas por questão de segurança. Já que em algumas RPPNs avisavam que pelas proximidades havia perigo eminente de serpentes venenosas, inclusive com acidentes recém-registrados.

O pacote desta expedição conta também com fotos com drone – realizadas na RPPN Meandros e, helicóptero para fotografar uma RPPN por impossibilidade de acesso, a Gigante do Itaguaré, localizada a 2.308 metros de altitude no complexo da Mantiqueira no Vale do Paraíba, integrando o Pico do Itaguaré.

As espécies botânicas raras que o fotógrafo encontrou não podiam faltar… E podem ser vistas nas fotografias publicadas no livro junto com as curiosas histórias destas Reservas Particulares do Patrimônio Natural.

Após o diálogo com os convidados e, encerrando a noite de comemorações e confraternização junto aos amigos e parceiros desta jornada em prol da Conservação Voluntária do Estado de São Paulo, Silvestre Silva aponta que tem muito mais no livro!

“Cultura e Natureza – Áreas Protegidas do Estado de São Paulo: RPPNs” é fruto de um projeto viabilizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e que contou com apresentação da AB Concessões, patrocínio da Companhia de Navegação Norsul e o co-patrocínio das empresas Engie Brasil Energia e Banco ING. A Federação das Reservas Ecológicas do Estado de SP – FREPESP sublinha também as editoras parceiras: Bela Vista Cultural e Tuim; os apoiadores: Fundação Florestal, WWF-Brasil, SESC São Paulo, SESI-SP editora e International Paper.

A publicação que foi co-idealizada pela FREPESP e pela Bela Vista Cultural tem o objetivo de tornar-se um material de referência sobre o universo das RPPNs Paulistas. Sua divulgação acompanhará apresentações em municípios do interior do Estado de São Paulo, quando a equipe editorial (com apoio da Secretaria Estadual da Educação, do SESC SP e da SESI-SP editora), dialogará com a população local e estudantes de escolas públicas a respeito do tema do livro – o trabalho desenvolvido por estes proprietários de RPPNs em prol da Conservação da Natureza.

Desta forma, em consonância com a viabilidade financeira do projeto, o livro não será comercializado e terá distribuição gratuita em escolas e instituições públicas paulistas. Até o final do ano, a distribuição, palestras e projeção de audiovisual acontecerão em 15 cidades do litoral aos longínquos interiores do Estado de São Paulo.

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Comunicação FREPESP 
Ana Celina Tiburcio 
Comunicação e Conteúdo Ambiental 

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