RPPN Curucutu (clique aqui)

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Pioneirismo na proteção da Mata Atlântica

Criada em 1995, a RPPN Curucutu é umas das pioneiras no Estado de São Paulo. Lá é possível encontrar vegetações típicas da Mata Atlântica e uma paisagem deslumbrante

Pode parecer estranho, mas há poucos quilômetros da capital o trânsito insano e o estresse das grandes cidades deixam de ser aborrecimentos cotidianos. O local é conhecido por ser uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), só que para chegar até lá, é preciso enfrentar em torno de 20 minutos de carro em estrada de terra. Em época de seca, não há tantos problemas, só que é preciso atenção as inúmeras pedras e buracos que podem “surgir” durante o trajeto.

Localizada na serra do mar, no município de São Bernardo do Campo, a RPPN Sítio Curucutu é considerada uma das pioneiras no Estado de São Paulo tendo sido criada em 1995. Sua área é composta por 10, 89 hectares, cujo nome remete ao canto da coruja: curucutu. Segundo estimativas, a vegetação da região é responsável por 0,5% do oxigênio respirado por São Paulo. “Aqui o meu objetivo é preservar”, resume Vera Helena Roso, 56, ao descer do carro. Ela e o seu pai, Jayme Vita Roso, 80, honram a vontade de conservar o meio ambiente.

 

No início a ideia era investir em um loteamento residencial, porém, encantado com a imensidão do local e indignado com a degradação, o advogado Jayme Vita Roso, começou seu projeto pessoal de reflorestamento. “Meu pai é responsável por tudo isso que vocês estão vendo. Foi um trabalho de formiguinha, mas ele conseguiu plantar e replantar a maioria dessas árvores”, conta Vera responsável pela atual administração.

Até pouco tempo, Vita Roso frequentava a reserva praticamente todos os finais de semanas. Agora, porém, com 80 anos, a direção é de responsabilidade de sua filha. O advogado têm aproveitado esse tempo para se dedicar mais a família sem esquecer, claro, de sua aventura ambiental. Com o apoio de seu pai em forma de voto de confiança, Vera diz que hoje um dos seus maiores desafios é “aprender, deixar crescer e cuidar”.

São pinheiros chineses e japoneses, palmitos, araucárias, jacarandás, guapuruvus, perobas, cedros, bracatingas, angicos e pau brasil. Todo essa diversidade atraiu arapongas, pacas, tatus, cotias, macacos, cobras, jaguatiricas, veados, pássaros e, é claro, as corujas “curucutus”. Além dessa variedade na RPPN é possível encontrar em torno de 8 colmeias com abelhas nativas e africanas e cinco pequenas represas em diferentes extremos.

Com a fauna e a flora bastante diversificada, atualmente, há três famílias responsáveis pela manutenção e segurança. Dentre eles, o piauiense Otaciano Barroso de Carvalho, que trabalha no lugar há 18 anos roçando estradas, cuidando da vegetação e da pequena horta para o próprio consumo.

“Para você conhecer tudo isso aqui leva umas duas horas pelas estradas e trilhas. Estou jogando baixo, porque o tempo depende da disposição do visitante. Tem muita subida e se não conhecer bem o local é perigoso se perder”, resume Carvalho numa sexta, carregando com muita disposição em uma subida bastante íngreme sua enxada de trabalho.

O funcionário que também é responsável pela revitalização de boa parte da floresta alerta para o perigo de cobras, mas parece se divertir com a situação. “Vamos por essa trilha. Só tomem um pouco de cuidado, porque as vezes aparece jararaca e jararacuçu”.

Em breve, segundo Vera, a família Roso também pretende plantar alimentos que gerem renda, mas é preciso um estudo segmentado antes de colocar o objetivo em prática. “Eu gostaria de plantar para comercializar, fazer um viveiro e investir em agricultura orgânica”, diz.

Com o passar dos anos, o advogado e sua filha alcançaram significativos reconhecimentos. Mas, ainda faltam, pessoas e empresas dispostas a ajudarem financeiramente. O Projeto Oásis da Fundação O Boticário é uma das organizações que têm contribuído bastante com apoio técnico e ajuda financeira semestral. “A cada 6 meses recebo alguém da vistoria técnica para me auxiliar. É a partir da análise deles que planejo o futuro desse lugar”, conta Vera. “A Secretária do Verde e Meio Ambiente também têm me ajudado na geração de resultados positivos”, completa.

Ela também revelou alguns de seus esforços para conseguir capitalizar recursos financeiros: “Manter tudo isso é bem caro. Tenho corrido atrás e agarrado com todas as minhas forças as oportunidades que surgem. Uma ou outra parceria, não importa o tamanho. O pouco que surgir já vai me ajudar. Eu gostaria de ter um engenheiro agrônomo, por exemplo”.

Apesar das dificuldades enfrentadas na administração, Vera é generosa ao revelar que, mesmo fechada para visitação turística, a RPPN está aberta aos estudantes e profissionais interessados em estudos comparativos de agronomia, botânica ou bichinhos. “Só preciso saber da intenção da visitação com antecedência, mas adianto que todos são bem-vindos”.

Em um futuro próximo, ela diz que pretende tornar a RPPN Curucutu “sustentável do ponto de vista econômico” e ser exemplo “no tratamento de esgoto e águas cinzas”. “Mais uma vez eu bato na tecla da importância de capitalizar investimentos. Quando eu tiver o suficiente conseguirei tirar essas e outras boas ideias do papel”, finaliza.

RPPN Curucutu
Local: São Bernardo do Campo – SP
Ano de criação: 1995
Área total: 10,89 hectares
Proprietário: Jayme Vita Roso
Administração: Vera Helena Roso
Visitação: Fechada à visitação e aberta aos pesquisadores.

 

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