RPPN Sítio Manacá (clique aqui)

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Casal mantém floresta nos fundos de sua casa

Teresa Olim e Antonio Fernando Freire são os proprietários do Sítio Manacá, uma RPPN discreta, que passa quase despercebida por quem viaja pelas estradas locais de Guaratinguetá, mas que protege 25,83 hectares em caráter perpétuo

Quem caminha pelas trilhas íngremes e cobertas de vegetação nativa do Sítio Manacá jamais imaginaria que aquele local servia apenas como pasto há duas décadas. Ainda mais difícil é imaginar que todo o trabalho de regeneração da mata foi fruto da insistência e do carinho pela proteção ao meio ambiente que um casal paulistano desenvolveu morando no local há 16 anos.

Teresa Olim e Antonio Fernando Freire transformaram o quintal da sua casa em um enorme fragmento protegido de Mata Atlântica. No total, são 25,83 hectares – localizada na cidade de Guaratinguetá na região da Serra da Mantiqueira.

Freire garante que sempre manteve o desejo de morar em um lugar “abraçado pela mata”, pois a convivência nas propriedades rurais de sua família geraram boas recordações de infância. Já sua mulher conta que o amor pela natureza nasceu no quintal de casa. “Mamãe cultivava muitas plantas. Acredito que a vontade de cuidar nunca morreu. Pelo contrário, ressurgiu quando viemos para cá”, diz Teresa.

A satisfação de residir nas proximidades e ser responsável por uma área tão rica em biodiversidade é grande. Mas não se engane, a criação de uma RPPN requer muitos cuidados. De acordo com o casal, um dos maiores desafios têm sido o reflorestamento das áreas degradadas. “O trabalho de reflorestamento sempre foi um dilema. Eu plantava conforme a minha inspiração, porque não tinha orientação. Mas aos poucos fui adquirindo experiência e acertando”, diz Freire – que completa ao revelar o orgulho que sente de ver a mata em pleno desenvolvimento “minha alegria é observar a floresta se regenerando e presenciar os animais voltando”.

“A trilha pelas rochas é o meu lugar preferido, mas é preciso fôlego e cuidado”, dizia Teresa ao se distanciar. Ela percorre as trilhas íngremes com velocidade, sem ficar ofegante ou demonstrar sinais de cansaço mesmo depois de andar por mais de uma hora dentro da mata. Freire está afastado do esforço físico devido um problema no joelho. Durante a visita, principalmente nos locais mais altos, a equipe de reportagem do portal da Frepesp encontrou belíssimas formações rochosas e árvores típicas, com galhos e troncos retorcidos.

A RPPN abriga 5 trilhas e 10 atalhos que se interconectam. Sobre a diversidade animal, Teresa já encontrou pacás, onça parda e o lobo-guará, inclusive um dos caminhos foi nomeado como Trilha dos lobos-guarás pela constante presença da espécie. “Uma jaguatirica também foi avistada nas proximidades, mas não há registros que confirmem que ela esteja por aqui”, completa. Durante a reportagem para o portal da Frepesp, uma araponga deu o ar da graça.

Apesar de tanta dedicação, o lugar vêm enfrentando problemas financeiros para a sua manutenção. Cabendo ao casal buscar apoio na tentativa de custear as despesas. Para alívio, em 2014 a propriedade foi selecionada para receber o pagamento por serviços ambientais  (PSA). Para Teresa a ideia é fazer mais e melhor. “O benefício será utilizado na eliminação das espécies invasoras, reflorestamento, sinalização, manutenção de aceiros e melhorias na segurança, além de quitação de compromissos financeiros já assumidos para dar continuidade as ações de melhorias”, diz.

Até o momento, a primeira parcela não foi liberada, mas a expectativa do casal é grande. “Estamos ansiosos aguardando a liberação para prosseguir com o trabalho que desenvolvemos há tanto tempo”, reforça Freire. Alguns trabalhos demandados para receber o PSA, já foram feitos como os aceiros para proteger a reserva contra incêndios e as placas de sinalização.

Quando interrogados sobre a motivação para a criação de uma RPPN, o casal destaca que a vontade de ambos sempre foi assegurar que a floresta permaneça intocável. “A nossa maior preocupação sempre foi garantir que ninguém consiga mexer no que já foi feito, mesmo que outras pessoas herdem ou a área seja vendida. O reconhecimento da propriedade como reserva aliviou a nossa apreensão sobre o futuro”, finaliza Teresa com a apoio do marido.

RPPN Sítio Manacá
Local: Guaratinguetá – SP
Ano de criação: 2012
Área total: 25,83 hectares
Proprietário: Antonio Fernando Freire
Visitação: Fechada para pesquisas e visitação

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