RPPN Serra dos Itatins (clique aqui)

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 Associação Eco-Jureia concentra esforços para preservar a RPPN Serra dos Itatins

RPPN no litoral sul paulista protege 75,08 hectares de mata nativa; abriga inúmeras espécies e protege duas  minas de água potável

A RPPN Serra dos Itatins é um lugar deslumbrante – onde o verde parece não ter fim. A mata preservada cobre montanhas e serve de abrigo para inúmeras espécies. A propriedade fica na Estrada do Despraiado em direção a cidade de Iguape (litoral sul de São Paulo), lugar bastante conhecido pela galera que gosta de se aventurar por trilhas de bike.

Ao caminhar pela mata, é possível observar uma grande variedade de flores,  bromélias, samambaias gigantes e líquens vermelhos espalhados por diversos troncos de árvores que escondem cinco trilhas, duas minas de água potável e um mirante. Lá de cima, é possível ver um enorme talhão de floresta nativa. Em uma área bastante escondida no meio da mata, foi encontrado um antigo moinho em ruínas que servia de abrigo para os escravos. A construção foi engolida por uma árvore cujas raízes ainda guardam o formato da antiga construção.

A floresta também abriga diversas espécies. Ali é possível encontrar o muriqui  – também conhecido como mono carvoeiro. Apesar de estar ameaçado de extinção o macaco é bastante comum naquela região. Eles podem medir até 1,5 metro e são mansos, com hábitos solidários e permanecem a maior parte do tempo em grupo. Por conta da sua personalidade passiva, os muriquis são chamados pelos índios de o “povo manso da floresta”. Uma das trilhas foi batizada como trilha do pica-pau rei, pela constante presença da espécie naquele local. Outra curiosidade é que uma parte da vegetação é um brejo onde já foram avistados vários jacarés.

A propriedade pertence a Associação Eco-Jureia (AEJ). Para Cybele da Silva, diretora institucional da AEJ, o objetivo da Associação é promover a interação do Homem com a Natureza através do desenvolvimento de atividades de educação ambiental. “Para nós, é um desafio positivo cuidar de toda a mata”, diz.

A Associação recebeu a propriedade como doação do antigo proprietário. Posteriormente fizeram o processo para que o local fosse reconhecido como Reserva Privada do Patrimônio Natural – o que aconteceu no dia 18 de novembro de 2009.

Por enquanto, o lugar não dispõe de nenhuma infraestrutura para os visitantes ou turistas. A Eco-Juréia vem realizando uma série de melhorias e esforços para atrair novos parceiros. “O nosso sonho é montar uma base de estudos científicos aqui, mas falta recursos financeiros para levar a ideia adiante”, afirma Cybele. “Esta é a parte mais conservada da Serra dos Itatins e acreditamos que esta base de pesquisa tem tudo para dar certo.”

A Eco-Jureia pretende abrir a propriedade para a observação de aves, mas, antes, é preciso arrecadar fundos para concluir a base de estudos científicos que será responsável por dar mais comodidade aos observadores, pesquisadores e fotógrafos.

Pagamento por Serviços Ambientais

A RPPN Serra dos Itatins conquistou uma grande vitória em março de 2014 quando recebeu o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do governo do Estado de São Paulo. Mesmo sem a liberação da primeira parcela, a diretora institucional Cybele em companhia do seu pai Walter da Silva, vem trabalhando para colocar em andamento o plano de ação entregue para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

O valor a ser pago é de R$ 130.918,59 mediante uma série de ações de melhoria que vão desde as mais básicas como o cercamento e sinalização contra caça e extração vegetal. Porém, o maior diferencial, são as propostas descritas para aumentar o grau de consciência ambiental da comunidade do entorno. Porque não adianta estabelecer regras e proibições de caça e pesca se não houver programas de educação ambiental.

Também está previsto a construção de um viveiro de mudas para reduzir custos no processo de recuperação da mata. A finalidade do viveiro será abastecer todo o programa de reflorestamento da RPPN.

A equipe de reportagem da Frepesp acompanhou a colocação das placas sinalizadoras contra caça, extração vegetal e entrada de pessoas não autorizadas. Ali, podemos perceber que o caminho é longo se levarmos em conta todas as ações propostas  para os próximos cinco anos.

O trabalho de sinalização foi bastante cansativo, pois o dia estava muito seco e os termômetros marcavam mais de 30 graus. A figura principal do processo foi o caseiro da propriedade Abílio Rodrigues do Nascimento, de 67 anos, conhecido como mineiro. O funcionário e sua mulher Vilma Evangelista dos Santos vivem naquela região há 37 anos, cuidando da terra muito antes da propriedade ser reconhecida como RPPN. “A minha história e as minhas lembranças estão todas aqui. Conheço a maioria dos moradores, os bichos e os perigos que a mata pode oferecer”, diz o caseiro. O casal demonstraram saber exatamente a importância de preservar a mata e deixar este legado para as futuras gerações.

O paulista Dimitri Salum Moreira é o geógrafo responsável por elaborar o georreferenciamento e o plano de manejo que está em fase de aprovação. Ele destacou que existe um ponto afetado por uma erosão próximo a trilha do pica-pau rei e disse que há uma ação específica para conter o problema através do reflorestamento com espécies pioneiras e secundárias. Ele e sua equipe passaram cerca de duas semanas imersos na mata para elaborar o plano. Ganharam centenas de picadas de insetos no corpo, mas saíram gratificados pelo trabalho que realizaram.

Ameaças e soluções

A RPPN Serra dos Itatins não está livre de invasões. Nos últimos anos, a colaboração da Polícia Militar Ambiental foi fundamental para inibir a ação de estranhos. Mesmo assim, a ameaça de caçadores e ladrões de palmito é permanente. “Eu acredito que a colocação das placas vai intimidar os invasores, porque é uma forma de dizer para as pessoas que a propriedade é particular e que as leis garantem a sua preservação”, diz Cybele.

Em outubro de 2014, a AEJ organizou uma meia maratona ecológica para arrecadar fundos para a RPPN. A competição foi realizada na Praia da Jureia, na cidade de Iguape, com três percursos de corrida (5km, 10km e 21Km) e uma de caminhada (3Km). Segundo Cybele, o objetivo foi reunir atletas, amigos e familiares para conscientizar as pessoas no exercício de sua cidadania frente às questões ambientais, além de promover o bem-estar gerado pela prática de atividades físicas. A competição contou com a participação de 500 atletas. “A falta de experiência na organização foi o nosso maior obstáculo”, lembra. “A boa notícia é que no final deu tudo certo!”

RPPN Serra dos Itatins
Local: Iguape – SP
Ano de criação: 2009
Área total: 75,08 hectares
Proprietário: Associação Eco-Jureia – AEJ
Site: http://www.ecojureia.org.br/

 

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