RPPN Renópolis (clique aqui)

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Atrativo turístico próximo de Campos de Jordão é exemplo na preservação ambiental

Fazenda Renópolis oferece tranquilidade aos visitantes, sabores caseiros, objetos artesanais e atividades ambientais

A cidade de Santo Antônio do Pinhal é vizinha de Campos do Jordão e retém o mesmo clima frio, montanhoso e agradável. Mas diferente do badalado destino que chega a atrair 300 mil turistas em feriados prolongados, ali prevalece a simplicidade. Ideal para quem deseja escapar das badalações, dos fondues caríssimos e ainda aproveitar um pouco da natureza.

Se este for o seu caso, não deixe de dar um pulo na Fazenda Renópolis. O lugar fica as margens da Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro e abriga uma aconchegante casa de chá onde o turista pode escolher entre mais de 40 sabores acompanhado de vários tipos de bolos, geleias e tortas. Tudo feito ali mesmo e artesanalmente.

Outro grande diferencial do lugar é a possibilidade de conhecer como funciona uma Unidade de Conservação. A fazenda Renópolis é uma Reserva Privada do Patrimônio Natural (RPPN) que protege uma área de 83,19 hectares mata nativa. Toda essa extensão serve de abrigo para inúmeras espécies e protege aproximadamente 13 nascentes e uma cachoeira que vai de encontro ao rio Sapucaí Mirim. Porém, antes de falar mais sobre os seus atrativos, vamos conhecer um pouco mais sobre a história da propriedade.

A proprietária Débora Mascarenhas Murgel e suas irmãs, Priscila Mascarenhas Murgel e Gabriela Murgel Câmara, e a mãe Denise Mascarenhas Murgel, transformaram uma parte da propriedade que está com a família há quase cem anos em uma RPPN em 2011. A ideia era formalizar em caráter perpétuo o compromisso de proteger e cooperar com a expansão da conscientização ambiental. “Aqui não é apenas a minha casa e o meu lugar de trabalho, é também um espaço de aprendizado”, reforça Denise Murgel Murgel, a mãe das proprietárias.

Além das condições naturais de preservação, a Fazenda Renópolis também abre espaço para pesquisas acadêmicas e atividades de educação ambiental para escolas da região. Existe uma parceria firmada com a Universidade de Taubaté (Unitau) para a realização de pesquisas científicas e acadêmicas que já trouxe grandes benefícios para a propriedade. O Departamento de Engenharia Ambiental da Unitau, através do professor Sérgio Luiz Louzada, ofereceu auxílio no levantamento georreferenciado e todos os demais dados necessários para a documentação e reconhecimento da RPPN em 2011.

Além do convênio firmado com a Unitau, Débora não descarta a possibilidade de liberar o uso da propriedade para outros pesquisadores desde que todos os detalhes sejam acertados com antecedência. “Quem tiver interesse pode procurar a gente com a proposta de estudo”, diz. Uma das regras é que o resultado seja disponibilizado na íntegra, pois ele poderá “servir de auxílio para a produção do plano de manejo que ainda não está pronto”.

Pensando na futura elaboração deste Plano de Manejo, a proprietária fotografa e cataloga as espécies de fauna e flora mais comuns. Sobre as espécies presentes na mata, ela conta que é difícil avistar os animais, porém os mais comuns ali são os tatus e os veados-campeiros. “É custoso ver alguma coisa aqui, mas uma jaguatirica invadiu meu galinheiro e matou minhas galinhas”, lembra Débora que não desgruda da sua câmera digital sempre que caminha pelas trilhas na expectativa de registrar algum deles.

A Fazenda Renópolis também promove atividades de educação ambiental para alunos do ensino fundamental das escolas da região conhecerem a propriedade. Depois de uma agendamento prévio com as proprietárias, são programados passeios para pequenos grupos. “Procuro dar uma solução diferente para cada proposta”, afirma Débora que sempre busca saber o que as crianças estão aprendendo em sala para adequar aos passeios. O passeio recebe no máximo duas classes.  “A nossa alegria é ensinar o pouco que sabemos para as crianças e ver mais tarde elas voltarem na companhia dos pais. Esse sentimento de realização ninguém consegue me tirar”, revela Denise Murgel. 

Loja de artesanatos e sustentação financeira

“Aqui nada é desperdiçado”, afirma Débora. Na loja de artesanatos, que fica ao lado da casa de chá, a palha de milho pode virar flor e a palmeira vira uma luminária. Foi através da casa de chá e deste pequeno comércio, que a Fazenda Renópolis se manteve financeiramente. “O nosso maior desafio sempre foi conseguir verba para manter toda a mata. A casa de chá e a loja de artesanatos foram as saídas que encontramos para trabalhar sem deixar de lado o cuidado com o meio ambiente”, conta Débora.

Além da loja de artesanato, a Fazenda Renópolis acaba de receber outra ajuda para se manter financeiramente. A propriedade foi selecionada para receber o pagamento por serviços ambientais (PSA) do Governo do Estado de São Paulo. O valor é de R$ 146.349,42 e será utilizado somente em ações de melhoria e manutenção. Quem passa pela por lá, já pode observar algumas medidas como placas de sinalização, erradicação das espécies invasoras e o cercamento da propriedade. “Um dos pontos previstos é a retirada dos pinus – uma espécie invasora. As árvores maiores foram aneladas e as menores cortadas e utilizadas na fabricação de pequenas pontes e escadas para facilitar o trajeto nas trilhas”, diz Débora. Aliás, as escadas e pontes feitas manualmente também faz parte do trabalho de Débora que demostra uma habilidade incrível para trabalhar com as mãos em seu ateliê. “O trabalho é um pouco demorado, mas compensa”.

A grande ameaça da Fazenda Renópolis são os focos de incêndio. Débora fez um curso de brigada de incêndio ministrada pelo 11º Grupamento de Bombeiros de Taubaté e comprometeu-se a dar treinamento básico para as demais proprietárias e os funcionários da fazenda – totalizando cinco pessoas.

Quando a entrevista já estava quase no final, Denise Murgel disse que uma das melhores formas de respeitar a floresta é aprender a preservá-la. A prova disso é que as  proprietárias não se importam em gastar um bom tempo para explicar aos visitantes que recebe o que é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural e as motivações que as levaram a criá-la. “As pessoas não sabem o que é isso e uma parte do nosso trabalho é deixar as pessoas mais informadas sobre o tema”, diz  Denise. Mas ela não é a única da família com este pensamento. “Além de falar sobre o tema, eu tenho incentivado as pessoas a criarem a sua própria RPPN”, finaliza Débora Murgel, filha de Denise. Palavras de mãe e filha que mostram que o trabalho e o respeito pela conservação passaram de uma geração para outra. E, graças a criação desta RPPN, consolidaram-se em caráter perpétuo.

RPPN Renópolis
Local: Santo Antonio do Pinhal– SP
Ano de criação: 2011
Área total: 83,18 hectares
Proprietário: Débora Mascarenhas Murgel, Priscila Mascarenhas Murgel e Gabriela Murgel Câmara.
Visitação e pesquisas: Devem ser agendadas com antecedência e estão sujeitas a provação.
Loja de artesantos e a casa de chá: de quinta a domingo das 9h às 18h.
Site: http://fazrppnreno.lwsite.com.br/

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