RPPN Meandros I, II e III (clique aqui)

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Fazenda Meandros protege área equivalente a 1200 campos de futebol de Mata Atlântica

A  Reserva Privada do Patrimônio Natural foi uma das selecionadas para receber Pagamento por Serviços Ambientais no valor de R$269.846,32 nos próximos cinco anos

A história do biólogo paulista Claudio Martins Ferreira com a Fazenda Meandros começou na década de 70. De lá para cá, muita coisa mudou, mas a vontade de deixar um pedaço da Mata Atlântica como legado para as futuras gerações ainda permanece. “Quando conheci a região fiquei maravilhado com o altíssimo grau de preservação. Esse fato contribuiu na minha decisão de compra, porém a atitude de conservar parte do bioma sempre esteve presente nas minhas ações, antes mesmo da minha propriedade ser reconhecida como Unidade de Conservação”, conta Ferreira.

Segundo ele, a Fazenda Meandros foi vistoriada em 1999, quando iniciou o processo de criação. Mais tarde, o proprietário adquiriu mais duas áreas que foram chamadas de Fazenda Meandros II e Fazenda Meandros III. Em 2001, ambas foram reconhecidas como RPPN. As terras, se somadas, correspondem a 330,70,70 hectares de área nativa conservada. As três propriedades estão localizadas na região de Ibiúna, a cerca de 70 quilômetros de São Paulo.

Além de toda a vegetação presente, as três unidades protegem diversas nascentes e um cachoeira que deságua no Rio Laranjeiras que é um dos formadores da represa Cachoeira do França. Também há uma riquíssima biodiversidade de animais, com muitas aves, mamíferos, répteis e anfíbios, alguns inclusive, ameaçados de extinção como é o caso da araponga, do sabiá-pimenta e do pavó. A paca e o cachorro-vinagre, de categoria bastante rara, também estão sob a proteção da RPPN. “Pela variedade presente é difícil lembrar de todos. Mas não posso deixar de citar a onça parda e os primatas como o sagui, macaco-prego e bugio”, diz.

Para sustentar todos os gastos, parte da fazenda foi destinada ao cultivo produtivo. Nesta proporção de terra, em 24 estufas, aproximadamente 60 funcionários auxiliam na produção de tomates, pimentões, pimentas, vagem holandesa e francesa. Em média, segundo o proprietário, 60 toneladas são comercializadas por mês para grandes redes de supermercados, recurso que ajuda a manter financeiramente a UC, incluindo a manutenção de seis vigilantes.

PSA – Pagamento por serviços ambientais

Para melhorar as condições da RPPN, em fevereiro de 2014, a Fazenda Meandros I e III foram selecionadas para receber o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do 1º Edital do Projeto Crédito Ambiental Paulista. No total, onze reservas foram beneficiadas totalizando uma área de 1.884,74 hectares. A RPPN Meandros foi favorecida com o valor total de R$269.846.32 nos próximos cinco anos.

Em média a importância corresponde a R$ 202,00 por hectare. Esse capital deve ser  investido em ações de proteção como o controle de espécies exóticas com potencial invasor, recuperação de áreas degradadas, vigilância, aceiros contra o fogo e sinalização. O dinheiro, de acordo com Claudio Ferreira, será utilizado para a melhoria da propriedade, proteção e sinalização.

O conselheiro jurídico da Frepesp, Flávio Ojidos, explica que o pagamento por serviços ambientais parte da premissa de que uma área protegida está prestando serviços a coletividade. Logo, esse valor é uma forma simbólica de remunerar aquele que conserva.

“Em São Paulo as mais de 70 RPPNs protegem um total de mais de 20 mil hectares. O PSA é um instrumento importante para incentivar os proprietários de RPPN do Estado de São Paulo a terem um retorno pelo serviço ambiental que prestam. Porque além da incontestável importância para a preservação, estas Unidades de Conservação desoneram o poder público de todas as necessidades relacionadas a proteção e ao manejo destas áreas que ficam sob responsabilidade da iniciativa privada”, diz Ojidos.

Daniel Arrifano Venturi, analista de conservação do programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, também defende o projeto de PSA e afirma que ações como essas devem ser incentivadas para melhorar a gestão das propriedades. “O WWF e a Frepesp realizaram um diagnóstico sobre as RPPNs do Estado de São Paulo. Identificamos que a efetividade da gestão das reservas era uma das principais lacunas e gargalos que os proprietários enfrentavam. Uma das soluções encontradas para resolver este problema foi o PSA. O fomento e o incentivo aos proprietários através de recursos financeiros é importante. Queremos incentivar outros editais porque os proprietários são aliados dos órgãos públicos na conservação ambiental”.

Com esse incentivo e a soma de todos os esforços, o biólogo traçou quatro desafios para os próximos anos: “manter as áreas íntegras, ampliar a criação de UC, inovar em novas  tecnologias de produção e alterar o trajeto da nova adutora da Sabesp na tentativa de minimizar os impactos dessa obra nas áreas protegidas da RPPN”, finaliza. Com todo o histórico esforço em nome da preservação ambiental, ninguém duvida que ele vai conseguir.

RPPN Meandros I, II e III
Local: Ibiúna – SP
Ano de criação: 1999
Área total: 330,70 hectares
Proprietário: Claudio Martins Ferreira
Visitação: Fechado à visitação e aberta aos pesquisadores
Site: http://www.fazendameandros.com.br/

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