RPPN Estancia Jatobá (clique aqui)

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RPPN Estância Jatobá aposta na conscientização ambiental através da arte

A área protege 26,67 hectares, mas em breve serão mais 22 hectares, totalizando 48,67 de proteção

Foi a ausência do marido – o psicólogo americano John Keith Wood, falecido em 2004, que levou a artista plástica Lucila Machado Assumpção, 72 anos, a deixar um pouco de lado a RPPN Estância Jatobá e se dedicar mais a sua arte. Porém, o afastamento temporário só serviu para reforçar o desejo de cuidar da propriedade localizada em Jaguariúna, São Paulo.

“Fiquei muito tempo devagar após a morte do John, porque nós tínhamos uma ligação muito profunda, mas nunca me esqueci da responsabilidade que assumimos”, afirma a artista plástica. O compromisso em questão são 26,67 hectares, que ela pretende aumentar para 22 hectares, totalizando 48,67 de proteção.

“Eu decidi restaurar quase toda a fazenda, porque não dou conta de fazer produção”, afirma Lucila que na administração demonstra saber exatamente onde quer chegar ao apresentar uma série de projetos que pretende efetivar. Segundo ela, a fazenda já teve parte de sua produção dedicada ao cultivo da laranja e, mais recentemente, a plantação de cana que gerou uma série de problemas por conta de acordos não cumpridos durante o período de arredamento.

Mas deixando de lado as experiências negativas. A ideia agora é realizar a produção intensiva de alimentos para a sustentabilidade das pessoas que moram ali, conforme os princípios da agrofloresta, para posteriormente colher mandioca, feijão, abóbora, mamão e laranja.

Ela, inclusive, já colocou algumas ações de restauração em prática como a plantação de 100 palmeiras em homenagem ao seu pai que morreu há dois anos com 99 anos. “Eu também sempre encho um ou dois sacos de sementes que encontro por aí, como o pau ferro, e saiu espalhando no meio da mata para que a natureza se encarregue da restauração”, diz.

Para ampliar a conscientização ambiental pequenas ações foram adotadas. Próximo a um jatobá centenário, um balanço foi colocado para os visitantes que remete o “brincar com sinceridade” para criar a sensação de amor e respeito a natureza. Aliás, ali cada canto possui um significado e um por quê.

São mensagens com bons pensamentos, plaquinhas e bandeiras espalhadas. Até as caixas d’água carregam palavras baseadas na cultura de gratidão. “Eu acredito que a arte pode ser um caminho para estimular a cultura de proteção ambiental”, diz Lucila.

A mata não possui trilhas, mas ela prevê a abertura através de uma verba de compensação disponibilizada pela Petrobrás como indenização por ter passado gás subterrâneo em uma parte da fazenda, apartada da Unidade de Conservação. Sobre a diversidade silvestre ela cita a cachorro do mato, veado, raposa e ouriço.

Mas, afinal, qual seria a melhor forma de ampliar a conscientização ambiental? “Investir em todos, sem exceção”, seria uma saída  segundo a artista plástica. “Com crianças eu imagino atividades com trilhas para mostrar o cuidado com o lixo, pintar plaquinhas para identificar as alamedas e coisas ligadas com arte, porque é o que eu sei fazer de melhor. Eu não sou uma agricultora de alma, mas sim uma artista”. Já para os adultos, seria despertar o amor e o respeito pela natureza através de passeios por trilhas e ações ligadas a arte, pois a “afeição gera o cuidado”.

Pagamento por Serviços Ambientais – PSA

Anunciado no começo do ano, o PSA – Pagamento por Serviços Ambientais, destinado aos proprietários de terras privadas, em São Paulo – gerou boas perspectivas para o futuro.

Lucila acredita que é “um início de conversa entre o público e o privado” necessário para valorizar quem dedica uma parte do seu patrimônio para a preservação. Com a liberação do benefício estão previstas ações como a formação e manutenção de uma equipe contra incêndios, abertura e manutenção de aceiros, sinalização contra fogo e pessoas não autorizadas no interior da UC.

O cercamento e a vigilância já foram feitos, segundo Lucila. A equipe de segurança é composta pela proprietária e seus quatro funcionários que residem em pontos estratégicos. “Eu ando a fazenda todos os dias e as famílias que moram aqui também percorrem a propriedade de forma contínua”.

Para o futuro o seu maior sonho é fazer um laboratório de pesquisas que tenha cursos dedicado às ciências holísticas e a sustentabilidade. Ela cita o exemplo da Schumacher College, localizada em Londres, onde os grandes temas da atualidade são discutidos com a pegada da economia ecológica. “Ter algo parecido com o Schumacher College aqui na propriedade seria o meu maior sonho, mas é preciso investimento”, diz.

Conscientização com arte

A Estância Jatobá nunca teve sérios problemas com invasões, porém a quantidade de lixo descartado ao redor impressionava. Lucila que sempre preferiu a arte como forma de conscientização resolveu expor seu lado criativo para reverter a situação. “Eu peguei uma raiz e lixei. Depois coloquei pedaços de couro com votos e convidei os vizinhos a deixarem suas bênçãos também”, diz.

A estratégia deu certo. Ali, desde que o objeto foi colocado a quantidade de lixo diminui bastante. “Tem aí umas dez contribuições com votos de bênçãos para vizinhança”, diz. O pedaço de raiz foi batizado como “escultura entre os vizinhos”.

RPPN Estância Jatobá
Local: Jaguariúna – São Paulo
Ano de criação: 2000
Área total: 26,67 hectares
Proprietários: Lucila Machado Assumpção
Visitação e pesquisas: Devem ser agendadas com antecedência e estão sujeitas a aprovação.

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