RPPN Bela Aurora (clique aqui)

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O Shangri-lá da Serra da Mantiqueira 

Fazenda Bela Aurora é uma das primeiras RPPNs criadas na Serra da Mantiqueira e protege mais de 90 hectares de terra nativa há mais de 35 anos

“Cheguei no meu Shangri-lá!”. Era assim que o advogado paulista Ângelo Pio Mendes Corrêa comemorava, sem esconder a felicidade, quando chegava na Fazenda Bela Aurora, localizada na cidade de Cruzeiro, próximo da divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.  Era uma referência direta ao paraíso das montanhas do Himalaia, descrito pelo escritor inglês James Hilton, no livro Lost Horizon como sede de panoramas maravilhosos – onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde – com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências.

Ele comprou a propriedade há aproximadamente 35 anos. Mas somente no dia 16 de julho de 1999, a fazenda foi reconhecida como Unidade de Conservação. Trata-se de uma das RPPNs pioneiras no estado de São Paulo e muito provavelmente a primeira a ser criada na região da Serra da Mantiqueira. Alguns anos mais tarde, o arquiteto Flávio Pessoa Mendes Corrêa (filho do dr. Ângelo Pio Mendes Corrêa) herdou a terra. Ele divide a responsabilidade de administrá-la com o seu cunhado, Milton Daud, há mais de seis anos.

Os registros oficiais da Fazenda Bela Aurora indicam que a RPPN protege 86,14 hectares de floresta. Porém, um estudo georreferenciado mais recente mostra que a área protegida tem 91,24 hectares. “A mata é tão preservada que existe um efeito borda inverso onde a floresta invade o pasto e não ao contrário”, afirma Luis Carlos Gioponi Junior, engenheiro ambiental responsável pela RPPN.

A Fazenda Bela Aurora conta com um rebanho de 25 vacas, mas não é e nunca foi auto-sustentável. “Meu pai dizia que ganhava dinheiro em São Paulo para gastar lá”, afirma o arquiteto. “A preocupação do meu pai sempre foi encontrar investimentos alternativos para auxiliar a mantê-la economicamente – e eu compartilho desta apressão.”

Graças a uma ação do governo do Estado de São Paulo, o proprietário da Fazenda Bela Aurora poderá recuperar parte do investimento feito ao longo dos 35 anos que a propriedade está com a família. Em fevereiro de 2014, a RPPN Bela Aurora foi uma das selecionadas para receber o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O valor deve ser pago em cinco parcelas durante os próximos cinco anos.

A Fazenda Bela Aurora não é aberta a visitação, mas uma ação do PSA irá oferecer a chance para que a comunidade conheça a reserva em duas ações específicas. A primeira delas, é na formação de uma brigada de incêndio. Além dos próprios funcionários da fazenda, a população local irá ser treinada para saber o que fazer em casos de incêndio e como utilizar o EPI (equipamento de proteção individual). Com esta ação, não apenas a Fazenda Bela Aurora, mas também a comunidade estará treinada para agir em casos de incêndio – uma das principais ameaças aos RPPNistas, segundo o Diagnóstico das RPPNs do Estado de São Paulo feito pelo WWF-Brasil e pela Frepesp.

Outra ação descrita no plano de ação do PSA é a recuperação de uma área degradada. Neste caso, a comunidade será convidada a plantar mudas nativas que vão recuperar a mata ciliar – em uma área delimitada.

O benefício prevê ainda outras ações como: abertura e manutenção de aceiros, cercamento da propriedade, controle de superpopulações das espécies dominantes, controle de erradicação das espécies exóticas invasoras, recuperação de áreas degradas, sinalização contra caça, extração vegetal, fogo e entrada de animais domésticos, investimento em segurança, levantamento topográfico e um plano de manejo completo para a propriedade.

Muitas ações já foram realizadas.  Ao chegar na propriedade, por exemplo, já é possível observar as placas de sinalização contra caça, extração vegetal, fogo e entrada de animais domésticos. A Fazenda fica cercada e bem protegida. Os aceiros que protegem a mata contra os incêndios também já estão prontos e bem visíveis. Os olhares mais ou menos atentos também conseguem avistar tucanos, ipês floridos no meio da mata e um verde deslumbrante sobre uma montanha íngreme e imponente.

Perguntado se estimularia outros proprietários a seguir os caminhos do seu pai e criar uma RPPN, ele é enfático. “Sim, mas acredito que é preciso encontrar alternativas para viabilizar economicamente as áreas remanecentes de mata atlântica”, diz. Tomara que ele esteja correto e que outros Shangri-lás possam surgir na região da Serra da Mantiqueira e em todo o Estado de São Paulo.

RPPN Bela Aurora
Local: Cruzeiro – SP
Ano de criação: 1999
Área total: 86,14 hectares
Proprietário: Flávio Pessoa Mendes Corrêa
Visitação: Fechada para pesquisas e visitação

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