RPPN Amadeu Botelho (clique aqui)

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RPPN Amadeu Botelho: cento e trinta e cinco anos de conservação ambiental

Conheça a história da RPPN que combina uma tradição centenária de preservação da natureza aliada a uma gestão eficiente e projetos de educação ambiental

A história da Reserva Ecológica Amadeu Botelho é longa. Tudo começou por volta de 1879 quando, Antônio Carlos de Arruda Botelho, o Conde do Pinhal, ciente do potencial agrícola da região adquiriu 1.600 alqueires de terras na cidade de Jaú, no interior de São Paulo, formando nessas áreas as propriedades Maria Luiza, Carlota, Sant’Ana, Santo Antônio, Santa Sofia, São Carlos, São Joaquim e Salto do Jaú, de aproximadamente 200 alqueires cada uma.

De acordo com Maria Evangelina de Arruda Botelho Lászlò, uma das proprietárias, seu avô, Carlos Amadeu de Arruda Botelho, filho caçula do conde, recebeu de herança uma fazenda (São Carlos) e comprou outra de um irmão (Santo Antonio) ficando com 400 alqueires. Deixou estas terras de herança para um de seus filhos. Seu segundo filho, Antônio Carlos Lacerda de Arruda Botelho, comprou dos irmãos e ficou único dono do que hoje é é denominado Fazenda Santo Antônio dos Ypês, onde está localizada a RPPN Amadeu Botelho reconhecida em 2000, com aproximadamente 143 hectares de mata preservada. Mas a preocupação com a conservação surgiu muito antes da propriedade ser reconhecida como Unidade de Conservação, segundo os proprietários.

Quem chega logo se depara com palmeiras gigantescas que podem ser avistadas de longe. Isso acontece porque Antônio Carlos Lacerda de Arruda Botelho plantava uma palmeira para cada filho que nascia e todos os filhos sabem exatamente qual árvore representa o seu nascimento.

Todo este cuidado trouxe benefícios para população e os arredores. A cidade de Jaú tem apenas 1,5% de floresta nativa e, boa parte dessa mata, está dentro da RPPN. Neste ambiente a biodiversidade é farta. “Já identificamos mais de 25 mamíferos e cerca de 230 espécies de pássaros, além de insetos e répteis”, revela Antônio Carlos Botelho Müller Carioba, administrador de empresas, agricultor e gestor da RPPN Reserva Ecológica Amadeu Botelho. O lugar também abriga mais de 169 espécies arbóreas e dois cursos de água, sendo potáveis, que deságuam no rio Jaú e no córrego João da Velha.

Plano de Manejo

Em 2013, a Reserva Ecológica Amadeu Botelho teve o seu Plano de Manejo aprovado através da Portaria de nº 214 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Este documento técnico define os objetivos gerais da UC, estabelece o zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação de estruturas físicas. “O plano de manejo é muito importante para qualquer área preservada, pois é ele quem vai nortear as futuras decisões”, explica o gestor.

Projeto Curumim

A Reserva Ecológica Amadeu Botelho desperta a curiosidade, mas poucos sabem que a visitação é permitida. Pensando assim, Antônio Carioba, elaborou o Projeto Curumim, antes mesmo da reserva ser reconhecida como UC. Se você deseja visitar e não sabe exatamente a localização não se preocupe, pois o lugar é bastante popular. Na dúvida, o melhor a fazer é pedir informações aos moradores da cidade.

O Projeto Curumim serve para aproximar a população local da reserva e ampliar o aprendizado das pessoas sobre a mata e, consequentemente, despertar o orgulho dos moradores da região pelo fato ter uma floresta classificada como estacional semidecidual – mata atlântica interior – com grande biodiversidade.

O projeto oferece aulas, palestras e atividades práticas. Os visitantes são recepcionados no Centro Curumim de Educação Ambiental que abriga uma exposição fotos, sementes, penas, crânios de animais, recriação de bicos de aves, cerâmicas, rochas sedimentares, objetos indígenas, entre outros. “Alguns dos artigos em exposição vieram de doações. Já as peças indígenas foram achadas na propriedade, inclusive a machadinha eu mesmo encontrei”, diz Carioba. Uma simpática família de morcegos esteve presente durante a visita da reportagem do portal da Frepesp ao Centro Curumim de Educação Ambiental.

Em seguida, os visitantes são guiados para um passeio em uma trilha estreita e bem sinalizada. É possível percorrer uma boa parte da trilha em menos de uma hora, a passos lentos e admirando as belezas da floresta nativa. A dica é ficar atento e levar uma câmera fotográfica para registrar os pássaros e os macacos que podem cruzar o caminho.

Nossa reportagem também se deparou com uma grande quantidade de macacos-prego durante a visita a Reserva Ecológica Amadeu Botelho.

A sala do Centro Curumim de Educação Ambiental tem capacidade para cerca de 40 pessoas. As atividades ocorrem na parte da manhã das 8h às 11h e durante a tarde das 14h às 17h. Todas as visitas são acompanhadas de perto pelos guias. O passeio deve ser previamente agendado pelo e-mail: gestor@rppnamadeubotelho.com.br. Os preços podem variar de conforme o tamanho do grupo, mas em média é de R$15 por pessoa com direito a um lanche típico da fazenda. O projeto funciona desde 1998.

Pesquisas científicas

Além de todo trabalho desenvolvido em prol da educação ambiental, os seis herdeiros incentivam a realização de pesquisas científicas no interior da reserva. A única regra ali é que deixem uma cópia do trabalho para aumentar o conhecimento dos proprietários sobre o ecossistema, segundo Maria Evangelina.

“A nossa reserva é aberta à visitação e pesquisas. Papai sempre dizia que a nossa casa é de todos e que sempre estaria aberta para acolher a família e os amigos. Essa regra é seguida até hoje”, revela Maria Evangelina. “É um consenso entre todos os herdeiros a decisão de disponibilizar a mata para pesquisas e estudos científicos”, reforça a também proprietária Maria Luiza de Arruda Botelho.

PSA – Pagamento por Serviços Ambientais

Em fevereiro de 2014, a Reserva Ecológica Amadeu Botelho foi uma das selecionadas para receber Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O plano de ação aprovado prevê: abertura e manutenção de aceiros, placas de sinalização, formação e treinamento de uma brigada de incêndio, controle de superpopulações das espécies dominantes,  cercamento da RPPN, recuperação de áreas degradas, incorporação de uma equipe de vigilância e controle de erradicação das espécies exóticas invasoras. Todas as atividades citadas devem ser executadas em cinco anos e os recursos devem ser liberados em parcelas anuais. O valor a ser pago é de R$ 200.311,16.

Um dos donos da propriedade, Thomas Haller, inclusive explica que já assumiu alguns compromissos para a melhoria antes mesmo da liberação da primeira parcela. “Já garantimos a produção de algumas placas de sinalização que foram anexadas nos principais pontos da RPPN”, finaliza.

RPPN Amadeu Botelho
Local: Jaú – São Paulo
Ano de criação: 2000
Área total: 142,88 hectares
Proprietários: Maria Evangelina de Arruda Botelho Lászlò, Maria Helena de Arruda Botelho Müller Carioba, Maria Cecy de Arruda Botelho, Elisa de Arruda Botelho Haller, Maria Luiza de Arruda Botelho e Teresa Cristina de Arruda Botelho
Visitação e pesquisas: Devem ser agendadas com antecedência e estão sujeitas a aprovação.
Site: http://www.rppnamadeubotelho.com.br/

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