RPPN Rio dos Pilões (clique aqui)

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RPPN Rio dos Pilões é modelo de negócio e sustentabilidade

A reserva abriga mais de 275 diferentes espécies de animais e uma vegetação nativa em constante crescimento, num total de 407 hectares de floresta protegida.

“Minha maior satisfação é observar a natureza se regenerando.” A declaração é do diretor de meio ambiente José Wladimir Lemos, 54, morador do residencial Ibirapitanga, no Município de Santa Isabel, há exatos 50 km da Praça da Sé. Lá encontramos 407 hectares de floresta protegida denominada como RPPN Rio dos Pilões.

Segundo ele, a proposta surgiu há aproximadamente 15 anos, quando um grupo de empresários se juntaram para desenvolver um projeto residencial na Fazenda Rio dos Pilões, do empresário Silvano Raia. No começo, a área apresentava 2.200 hectares e uma vasta proporção de vegetação nativa preservada com algumas partes degradadas.

 

Em função dessas características, o grupo junto a Secretária do Verde e Meio Ambiente apresentou uma proposta especial de licenciamento para a construção de um loteamento na área deteriorada, que manteria a mata nativa preservada. O reconhecimento, porém, veio somente em 1999 com o título de RPPN concedido pelo Ibama. Hoje, no total, são 575 lotes residenciais.

Wladimir, como é conhecido, acredita que a experiência bem sucedida é referência ao provar que “é possível a convivência do homem com o meio ambiente” e completa “tem um casal de jacu que aparece quase todos os dias quando estou tomando café pela manhã. No início, eles ficavam assustados com a minha presença, mas agora já se acostumaram”.

A ideia pioneira se tornou referência. Tanto que é possível encontrar em torno de 275 espécies de animais silvestres. Dentre eles, onças, tatus, gambás, cachorros do mato, macacos, lagartos, tucanos, arapongas e as temidas cobras como a coral e a cascavel. Na parte da vegetação encontramos muitos palmiteiros, jequitibás, angicos rosa, samambaias-açu, pau-ferro, jacaré e brasil, sendo alguns com mais de 10 anos.

Sustentabilidade à parte, a maioria das casas é usada como veraneio, por isso, a lotação acontece mais aos finais de semanas e em datas comemorativas. Atualmente, os moradores dispõem de um amplo espaço de convivência com churrasqueiras, playgrounds, quadras poliesportivas, espaço para reunião dos associados, festividades, vestiários e banheiros.

A justificativa para manter o equilíbrio frente aos desafios da RPPN na opinião do diretor ambiental Wladimir são: “multiplicar a vegetação com o plantio de frutas nativas e preservar espécies de animais em extinção. Agora, por exemplo, estou estudando uma forma de soltar aqui jacutingas e macuco”.

Trilhas

Apesar da RPPN ser uma área de conservação privada, o lugar está aberto aos visitantes e estudantes, desde que haja solicitação prévia. São quatro trilhas divididas em diferentes níveis de dificuldade para todos os gostos e necessidades. No verão o passeio é indicado das 8h às 18h e no inverno das 08h às 17h.

O melhor horário para observar os bichos são pela manhã ou no final da tarde, mas é preciso ir em silêncio para não espantá-los. Além das trilhas rigorosamente limpas e bem sinalizadas para a prática de exercícios, durante a caminhada, é possível observar outras direções que interconectam a mata. Porém, não devem ser percorridas sem o auxílio dos monitores.

Ao redor da lagoa no recanto palmital, por exemplo, com um pouco de sorte é possível observar tucanos de bico verde, serelepes e tatus. Lá também encontramos o maior roedor do mundo: a capivara. Não apenas uma, mas toda família, incluindo pequenos filhotes. “Eles já se acostumaram com a nossa presença. A gente passa e elas continuam lá no seu cantinho como se nada estivesse acontecendo”, comenta Wladimir.

Durante o passeio cruzamos com algumas espécies de aves, ouvimos diferentes cantorias e ruídos estranhos vindos da mata. Nada preocupante, pois a segurança funciona 24 horas para evitar imprevistos desagradáveis. Problema mesmo é a presença dos inúmeros pernilongos próximos às cachoeiras e nascentes. Por isso, os repelentes são tão indispensáveis quanto os filtros solares.

Projetos de educação ambiental

O trabalho de educação ambiental e inclusão social desenvolvido dentro na RPPN junto aos estudantes e a comunidade local têm alcançado resultados significativos. Segundo Wladimir, as atividades trabalham a questão do meio ambiente e a conscientização para que seja criada uma relação saudável com a RPPN. “A maioria das escolas participantes são de Santa Isabel e Arujá. Os monitores capacitados por nós, no geral são jovens, filhos, parentes de funcionários do condomínio ou estudantes da rede pública que moram na região”, explica.

Em breve também será disponibilizado aos visitantes o “Centro de Interpretação Ambiental” que reunirá informações a respeito da biodiversidade, exposições permanentes, palestras e cursos.

Por enquanto, o que não é pouco, o projeto oferece roteiros ambientais, viveiro com mais de 60 mudas de diferentes espécies para plantação e doação, a formação de minibosques educativos, o arvoredo próximo ao lago, o cultivo da horta e o pomar orgânico. Os grupos são formados por até 40 alunos, totalizando uma média de 1000 ao ano. “Conheço cada espécie presente aqui. Tenho certeza que as pessoas que caminham comigo aprendem alguma coisa, porque tenho prazer em explicar”, resume um tanto entusiasmado o diretor de meio ambiente que trocou o movimentado bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, pela tranquilidade e segurança do residencial.

“Também temos parceria com a Associação Cata Papel de Santa Isabel para realizar a coleta seletiva de recicláveis e uma estação de tratamento de água responsável pelo abastecimento de toda a propriedade”.

Outro aspecto que chama a atenção é a Base de Pesquisa, oferecida aos estudantes universitários e profissionais interessados em investigações da fauna e flora. “A casa está pronta para receber até 14 pessoas, além de toda a segurança, laboratório e material de pesquisa que nós podemos fornecer”, explica o diretor ambiental.

Segurança

Com a fama e a rica diversidade presente, começa a preocupação com a segurança e, para Associação dos Proprietários em Reserva de Ibirapitanga, esse serviço merece atenção especial.

De acordo com a direção, os esforços estão concentrados na fiscalização contra a caça, extração ilegal de madeira e invasões nas áreas de mata. Sendo a mesma equipe responsável pela segurança residencial e ambiental.

Essa estrutura também abriga um grupo combate a incêndios, com profissionais capacitados e atualizados periodicamente.

RPPN Rio dos Pilões
Local: Santa Isabel– SP
Ano de criação: 1999
Área total: 407 hectares
Proprietário: Associação dos Proprietários em Reserva Ibirapitanga – APRI
Visitação: Devem ser agendadas com antecedência e estão sujeitas a provação.

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